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AC/DC faz o Morumbi tremer na estreia latino-americana da Power Up Tour

Sem pedir licença às novas gerações, eles seguem firmes: resistência em formato rock’n’roll

Foto: © MRossi / Live Nation / Divulgação
Texto: Adriano Coelho

São Paulo, 24/02/2026 – Estádio MorumBIS – A maior lembrança que tenho do AC/DC era você estar no centro de São Paulo e ver as paredes pichadas: “AC/DC” ou “Iron Maiden”, pois foram essas duas bandas que os jovens roqueiros dos anos 1980 adotaram. Quem era adolescente ficava com a curiosidade de imaginar o som que eles faziam; sim, amigos, na época não tinha Spotify e YouTube. Anos mais tarde, a MTV, com programas de rock clássico e pesado, popularizou muitas bandas em nosso país.

AC/DC, PWR UP Tour em São Paulo. Foto: MRossi/LiveNation/Divulgação

Quando eles se apresentaram no Rock in Rio de 1985 e foram a banda principal da chamada “noite do metal”, tacaram o alvoroço, com direito a Angus Young mostrando suas nádegas para contestação dos mais velhos. A banda volta em 1996, naquela que seria a primeira apresentação em São Paulo, no estádio do Pacaembu, e, na sequência, só voltaria em 2009 no Morumbi, onde o número de caravanas de outros estados foi comentado pela imprensa. O grupo retorna ao país pela quarta vez em 41 anos. Malcolm Young morreu; no seu lugar está seu sobrinho Stevie Young. Recentemente, Phil Rudd e Cliff Williams resolveram se aposentar; na bateria temos Matt Laug e no baixo Chris Chaney. Lembrando que na primeira apresentação no Brasil o baterista era Simon Wright. Infelizmente, Mark Evans (primeiro baixista) nunca voltou para a banda.

AC/DC, PWR UP Tour em São Paulo. Foto: MRossi/LiveNation/Divulgação

Calculamos que cerca de 70.000 pessoas estavam presentes no estádio do São Paulo Futebol Clube. No metrô, o número de camisas do AC/DC era fora do comum, além dos chifrinhos luminosos que lembravam as performances de Angus Young. Em ponto, a banda The Pretty Reckless, da elegante vocalista Taylor Momsen, entra em cena. Muitos queriam ver o show, que possui a mescla de hard rock com grunge; foi uma apresentação onde a cantora mostrou segurança, disposição e soube doutrinar o público quando fazia sinal para todos vibrarem. Cantou música do seu recente trabalho, “Death by Rock and Roll” (“For I Am Death”); no total, foram 10 canções apresentadas. Destaque para “Make Me Wanna Die” e “Going to Hell”. Eu ressalto a sóbria “Witches Burn”, que mostrou um lado mais pesado do grupo; o guitarrista Phillips merece destaque, pois solava e recebia elogios. Eu, para ser sincero, espero assistir à banda em outra oportunidade, com um show mais longo.

The Pretty Reckless, abrindo a noite. Foto: Camila Cara/LiveNation/Divulgação

Às 21h as luzes se apagam e Angus Young, com o cabelo todo branco, está no palco. Seu uniforme tem as cores da bandeira do Brasil. Para abrir, eles começam com “If You Want Blood (You’ve Got It)”, música também do clássico álbum ao vivo de 1978, quando eles possuíam no vocal Bon Scott. Na sequência, um petardo dos anos 1980: “Back in Black”. O show continua sem muita conversa; em “Thunderstruck”, achei a versão mais lenta, o Brian Johnson deu uma engasgada e senti certo erro na guitarra de Angus Young. O sino desce e percebemos que teríamos “Hells Bells”. Os clássicos eram ovacionados pelo público, mas afirmo que, talvez, o momento em que o público cantou de forma uníssona foi em “Highway to Hell”. Mas teríamos uma sequência matadora: “Sin City”, “Jailbreak” (onde Angus Young exagerou nos solos), “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” e “High Voltage”. O delírio da multidão foi inevitável. Para fechar o show, “Whole Lotta Rosie” (com a tradicional boneca) e “Let There Be Rock”, que foi de tirar o fôlego.

AC/DC, PWR UP Tour em São Paulo. Foto: MRossi/LiveNation/Divulgação

No intervalo, já tínhamos ouvido 19 clássicos. Eles voltam e, para fechar, “T.N.T.” e, como de costume, “For Those About to Rock (We Salute You)”, com seis canhões no palco disparando. Angus Young hoje é um menino prestes a completar 71 anos; ele não faz mais o strip-tease, se jogou no chão, ele não perde sua pose. Brian Johnson ainda manda bem, sem perder o seu estilo. Sim, o show foi bom, mas, independente disso, a história que o AC/DC deixou para o rock é uma coisa impressionante. Eles, que são um dos maiores fenômenos de venda de discos no mundo do rock’n’roll, só pelo fato de ainda tocarem e saberem levar o show é uma alegria imensa a todos. O palco não estava enfeitado como nas outras vezes e senti falta de algumas canções como: “It’s a Long Way to the Top”, “Problem Child”, “Touch Too Much” e, até da fase mais ruinzinha, que foi o final dos anos 80, temos “Who Made Who”. Mas vamos considerar, pois eles têm hits demais. Brian Johnson chegou a pegar uma bandeira do Corinthians mas a deixou de lado não abrindo.

Eu só tenho a agradecer por, mais uma vez, ter assistido a esse espetáculo que, como sabemos, é abençoado. Na saída, era bom ver a cara de satisfação das pessoas.


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