Bush e Alanis Morissette fazem a diferença do Lollapalooza Brasil
Outros destaques ficam com Jão, Teddy Swins, Benson Boone e Picanha de Chernobill
Foto: © Ale Frata / Live Images
São Paulo, 28 a 30/03/2015 – Autódromo de Interlagos – A12ª edição do festival Lollapalooza Brasil aconteceu neste final de semana, no já tradicional Autódromo de Interlagos, que há mais de 10 anos é o endereço do mega evento.
Com o line-up relativamente fraco de atrações, comparado aos anos anteriores, quando o festival trazia grandes nomes, referências em seus estilos, como Red Hot Chili Peppers, Imagine Dragons, Metallica, New Order, Dj Snake, Duran Duran, Foo Fighters, Joan Jett, Pearl Jam, Bad Religion entre outros ícones da música, em 2025, quem salvou o festival foram os ingleses do Bush e a canadense Alanis Morissette, que apresentaram shows nostálgicos e envolventes e com performance impecável. Além destes, os shows de Jão, Teddy Swims, Benson Boone também despertaram a atenção do público. Alguns nomes, considerados com muito peso para o festival, porém com uma pegada muito suave, tecnicamente falando e baixa qualidade musical não foram suficientes para atrair um grande público, como em outras edições, quando o Lollapalooza tinha a média de 100 mil pessoas por dia, o que desta vez não pareceu uma realidade. Segundo informações da assessoria, foram 240 mil pessoas. É bastante gente, claro, mas a sensação de espaço sobrando também era evidente.
Primeiro dia do Lollapalooza Brasil com Dead Fish, Jovem Dionisio, White Denim, Jão e Empire Of The Sun. Fotos: © Ale Frata / Live Images / Código 19
Em termos de ativação, o festival parecia um shopping center a céu aberto, no estilo Times Square, em Nova Iorque, com publicidades extremamente coloridas e logomarcas espalhadas por todo o espaço, causando até uma certa poluição visual, o que por outro lado foi um bom entretenimento para os presentes, que faziam filas em busca de brindes.
OS SHOWS
No sábado, a cantora Alanis Morissette, no auge dos seus 50 anos, colocou a californiana Olivia Rodrigo no chinelo, em termos de qualidade vocal. Apresentando um show nostálgico, fazendo todos cantarem, Alanis mostrou plena forma. Sem parar um momento sequer, o show parecia um compilado de sucessos, na melhor seleção de um típico disco Greatest Hits . A única coisa que as duas tem em comum é a antipatia pelo trabalho da imprensa. Ambas vetaram o trabalho dos fotógrafos, o que causou um certo desconforto na sexta-feira, já que um veículo de imprensa conseguiu uma galeria de fotos da cantora Olívia Rodrigo, captada de forma irregular, comprometendo também o trabalho de outros fotógrafos. Mais alguns artistas causaram no quesito captação de imagens, foram eles o headliner do domingo, Justin Timberlake, que permitiu pouquíssimos veículos de imprensa, mas não liberou suas imagens para a transmissão de TV, deixando o Multishow no vácuo, que acabou sendo preenchido pelo Sepultura, que também teve uma atitude ruim com parte dos fotógrafos naquela noite, pois de forma estranha e equivocada, liberou apenas 10 profissionais para a cobertura, deixando importantes veículos de fora. Isso causou muita estranheza, porque o Sepultura nunca teve esse tipo de restrição, e pior ainda, considerando um show histórico, porque além da banda se apresentar pela primeira vez no Lollapalooza, está a caminho da aposentadoria, mesmo que muitos duvidem disso e até cogitem uma reunião com Max e Igor, no futuro. A banda de metal progressivo californiana, Tool, também foi seletiva e aleatória para autorizar imagens, liberando apenas uma música aos escolhidos, mesmo que essa tivesse aproximadamente 12 minutos, e sob ameaça de tirar do pit, fotógrafos que não acatassem às suas regras. Os fãs que estavam por lá demonstravam muito entusiasmo, em ver os caras pela primeira vez no Brasil, mas nós optamos por ir embora, já que não fomos credenciados para a cobertura fotográfica.
Também no sábado, destacamos a apresentação dos gaúchos Picanha de Chernobill, que ficaram famosos por apresentações aos domingos na Avenida Paulista, e pela primeira vez se apresentaram no Lollapalooza, e com o carisma de quem vem do “terrão”, trouxeram três artistas de rua para o palco. Em fevereiro deste ano, a banda foi vítima da prefeitura de São Paulo, que interrompeu a apresentação que costumeiramente faziam na avenida, fechada aos domingos, dizendo que não tinham autorização para tocar com caixas de som, apenas instrumentos. Nota-se que a prefeitura de São Paulo é bem “favorável” aos artistas de rua. Teddy Swins esbanjando simpatia, assistiu ao final do show da Alanis, de uma espécie de sacada ao lado do palco, onde se apresentou na sequência, e Benson Boone, vestido de fragmentos da bandeira do Brasil, com seus saltos olímpicos, fez uma apresentação bem honesta, que agradou ao público.
Segundo dia do Lollapalooza Brasil com Picanha de Chernobill, Zuzilla, Drik Barbosa, Marina Lima Benson Boone e Teddy Swims. Fotos: © Ale Frata / Live Images / Código 19
O Bush foi a melhor apresentação do domingo, pelo menos dentre as que estivemos presentes, sendo a penúltima banda a se apresentar no palco Mike’s Ice, com set list recheado de clássicos. Gavin Rossdale, vocalista e guitarrista e único membro da formação original, logo no começo da apresentação, fez questão de descer do palco, e correu em direção aos fãs, incendiado ainda mais a apresentação e colocando os seguranças pra trabalhar. A própria banda postou em suas redes um vídeo desse momento que serve para apimentar ainda mais a apresentação.
Terceiro dia do Lollapalooza Brasil com Clube Dezenove, Terno Rei, Ca7riel & Paco Amoroso e Bush. Fotos: © Ale Frata / Live Images / Código 19
Agora, para os fãs do festival, resta aguardar o anúncio da próxima edição em 2026, e torcer para que venham artistas menos insossos do que os deste ano, tanto as atrações internacionais, quanto nacionais.
Para conferir a programação completa, clique aqui.
Obs.: As bandas que não apareceram em nossas galerias de fotos ou vetaram nosso trabalho, ou por questões de logística, infelizmente não conseguimos registrar.