Filme O Que Eu Chamo de Lar? emociona público em noite de estreia
Documentário, produzido com recursos da Lei Aldir Blanc, foi lançado em Barueri, na região metropolitana de SP
Foto: Gil Gonçalves/Divulgação
Texto: Daniel Vaughan
O lançamento do filme O Que Eu Chamo de Lar? aconteceu na Praça das Artes de Barueri (SP), no dia 9 de dezembro. A exibição gratuita contou com a presença da equipe técnica, personagens do documentário e público em geral.
O Que Eu Chamo de Lar? é um curta-metragem que reflete a respeito do que idealizamos realmente como casa, além de estimular o debate sobre problemas socioambientais do Brasil. Produzido com recursos da Lei Aldir Blanc, em parceria com a Cafofo Filmes, o documentário acompanha o cotidiano da artista visual Andreia Franco, moradora de Barueri. Na história, Andreia analisa o universo em que vive por meio da arte, enquanto o roteiro passeia por depoimentos de vizinhos de município e até habitantes de territórios indígenas.
Na noite de estreia em Barueri, o filme foi apresentado duas vezes na sala Ruy Ohtake, sendo que o primeiro formato contou com medidas de acessibilidade produzidas pelo Coletivo Desvio Padrão (libras, narração com descrição de imagens e legenda com áudio descritor).
E, no intervalo das exibições, o público ainda teve a chance de conversar com o trio que dirigiu o curta-metragem: Andréia Franco (também personagem central), Gil Gonçalves e Ágatha Reis (casal sócio da Cafofo Filmes).
Veja abaixo depoimentos da plateia e equipe durante o lançamento:
Empolgada com o resultado final da produção, Ágatha Reis falou sobre o início do projeto que, segundo a diretora, aconteceu de forma espontânea. “Na hora que o documentário começou a ser exibido na sala, passou outro filme na minha cabeça, que foi algo que a gente começou a idealizar, em 2022. Na época que tivemos o primeiro contato com a Andréia, topamos fazer sem dinheiro, sem nada. Daí, a gente conseguiu o fomento, o patrocínio para realizar esse filme. Agora estou emocionadíssima.”
Ao lado da esposa, o filmmaker e documentarista Gil Gonçalves também comemorou a parceria cinematográfica. “Foi uma experiência única e a realização de um sonho. Na carreira que tenho como audiovisual, eu sempre fiz mais trabalhos comerciais, então sempre tive esse desejo de produzir um documentário autoral. Ainda mais com esse tema que a Andréia trouxe, que tocou muito a gente.”
Já Andréia Franco descreveu a sensação de observar o público curtindo o filme na estreia: “Fiquei alegre em ver a plateia emocionada, porque para mim, Gil e Ágatha era importante produzir algo que tocasse as pessoas.”
Emoção e Reflexão
Sabrina Nabuco é moradora de Barueri, desde 1992. A engenheira e socióloga participou do curta O Que Eu Chamo de Lar? e não segurou as lágrimas ao assistir o lançamento, na sala Ruy Ohtake, na Praça das Artes. “Já havia sido muito emocionante quando fiz a entrevista com o questionamento que o documentário traz, pensando na minha relação com a cidade. Mas, agora, ver tudo isso foi ainda mais forte, porque o filme também fala de outros territórios. Eu me reconheci muito nas histórias.”
A bióloga Blanche Sousa Levenhagen estava atenta na plateia e elogiou o roteiro. “Achei fantástico. O tema chama para o resgate dessa memória ancestral, da nossa conexão com a natureza, além de fazer o questionamento sobre até onde vai nosso individualismo.” Blanche ainda comentou que o assunto mostrado na filmagem é urgente. “Esse documentário é um grande alerta para uma reflexão que está mais do que atrasada. Desenvolver é crescer? É concreto? Dá para questionar, porque você tem pessoas doentes em massa, com problemas psicológicos, físicos… Isso é desenvolvimento? Acho que não.”
Jornalista do Portal de Barueri, Jorge Ferreira também deu sua opinião. “O filme traz uma discussão muito atual sobre o meio ambiente. É importante conscientizar as pessoas sobre o quanto isso é importante e reflete na qualidade de vida da sociedade.”
As pessoas ficaram mais pensativas, depois da sessão cinematográfica. “Eu me identifiquei em vários aspectos de reconhecer a cidade, de ver como tudo mudou. Mas, ao mesmo tempo, o lugar encareceu e não está tão acolhedor”, disse o professor de ciências Everton Francisco Marques de Sousa. Nascido e criado em Barueri, ele ainda analisou: “O filme tem um recado importante, que é sobre tentar criar harmonia entre o indivíduo e o lugar onde vivemos.”
Vida Urbana x Territórios Ancestrais
Entre os destaques do curta, estão os encontros da equipe com habitantes originários de São Paulo. Na tela, lideranças criticam a falta de escrúpulos de empresários que tentam fazer construções equivocadas ao lado das aldeias. E, por uma triste coincidência, enquanto o filme era exibido na sala de Barueri, corria a notícia que o Senado brasileiro havia aprovado, na mesma terça-feira (9), a proposta de emenda constitucional que impõe limite à reivindicação de terras pelos povos indígenas.
Eunice de Fátima aparece nas filmagens mostrando todo amor pelas plantas do quintal da sua casa, em Barueri. Ela curtiu as imagens que mostram as diferenças entre a vida urbana e os territórios tradicionais. “Hoje em dia, por aqui, você vê prédios que são caixinhas, né? Daí, a gente assiste o povo com aquela vida boa na natureza, plantando, colhendo… Então, seria interessante que todo mundo tivesse mais amor pelo meio ambiente.”
Sabrina Nabuco concorda com a vizinha: “O filme tem um papel histórico não só de relatar fatos, mas de ensinar todas as gerações. Porque, além de criticar, é necessário educar e mostrar outras alternativas. A gente está tão acostumada com prédios e tudo tão cinza, então é bom ver outras formas de se relacionar com o que chamamos de casa.”
O lançamento do curta também recebeu moradores de regiões próximas a Barueri. “Achei sensacional e me emocionei muito”, disse Kelly Cristina Alvim, educadora física de Cotia. E ainda completou: “O filme nos deixa com várias reflexões… São mensagens lindas que mostram que nós somos a natureza.”
Em breve, O Que Eu Chamo de Lar? vai percorrer o circuito de festivais e mostras. Além disso, a produção quer usar o material audiovisual para fazer a sociedade discutir sobre os desafios de construir um planeta mais justo e saudável, como lembra Andréia Franco. “Nossa intenção é exibir o documentário em outros espaços para fomentar o debate. É importante as pessoas entenderem a conexão das pautas que o filme levanta, como a vulnerabilidade dos territórios indígenas diante das ameaças do congresso e a verticalização da moradia, principalmente em regiões periféricas que perdem cada vez mais sua vegetação.”

SERVIÇO:
Siga no Instagram: @oqueeuchamodelar
Contato: oqueeuchamodelar@gmail.com
Assessor de Imprensa: Daniel Vaughan – jornalismo.contatos@gmail.com
Ficha Técnica:
Direção: Agatha Reis, Andréia Franco e Gil Gonçalves
Produção: Andréia Franco
Direção de fotografia: Gil Gonçalves
Montagem: Agatha Reis
Colorização: Gil Gonçalves
Trilha sonora: Clayton Douglas
Acessibilidade: Coletivo Desvio Padrão
Designer e identidade visual: Wall
Analista de redes sociais: Felipe Ueslley Santos
Mixagem e masterização de som: Alemaotone
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