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Monsters of Rock Brasil, mais uma vez, apenas atrações internacionais

O festival teve Scorpions como headliner, apesar de muitos defenderem que os ingleses do Judas Priest deveriam ter encerrado a noite

Judas Priest. Foto: © Ale Frata / Live Images • Acervo Knotfest 2022
Texto: Adriano Coelho

São Paulo, 19/04/2025 – Allianz Parque – Parece mentira, mas já se passaram 31 anos desde a primeira edição desse festival no Brasil. Criado na Inglaterra em 1980, o evento trouxe para nossas terras, naquela ocasião, bandas icônicas como Kiss e Slayer. Curiosamente, na primeira edição britânica, Judas Priest e Scorpions também estavam presentes, e agora, 45 anos depois, os dois grupos retornam ao Brasil para celebrar essa grande festa.

Mais uma vez, não houve participação de bandas nacionais – o motivo, desconhecido. Mas vamos à resenha:

Os relógios marcavam 11h30 quando os finlandeses do Stratovarius subiram ao palco. O público ainda era pequeno. A banda passou por grandes mudanças ao longo dos anos, e atualmente conta apenas com Kotipelto no vocal e Johansson nos teclados da formação clássica. Nos anos 2000, o grupo foi um verdadeiro fenômeno no Brasil, lançando uma sequência de álbuns de sucesso: Episode, Visions, Destiny e Infinity. Ainda assim, seus discípulos mais fiéis permanecem. O setlist contou com 10 músicas e abriu com “Forever Free”. Como esperado, os momentos de maior empolgação vieram com “Paradise”, “Black Diamond” e “Hunting High and Low”. Para mim, o auge foi “Unbreakable”. Faltou “Million Light Years Away”, que alguns dizem ser um plágio de uma canção de Roberto Carlos. No geral, Kotipelto segue mandando muito bem.

Stratovarius, Summer Breeze Festval. abr/2023
Stratovarius, durante apresentação no Summer Breeze Festival, em abril de 2023.
Foto: © Ale Frata/Live Images

Agora era a vez dos suecos do Opeth. Para muitos, a grande incógnita do festival, já que o grupo passou por diversas mudanças musicais ao longo dos anos – do Death Metal ao Prog Metal, até o Rock Progressivo. Um ponto de discussão entre o público era o mais recente álbum, The Last Will and Testament, com sonoridade que beira o pop. Mikael Akerfeldt fala muito entre as músicas, o que fez o show esfriar em alguns momentos. Com sete canções no set, conseguiram abrir boas rodas. Destaco “Master’s Apprentices” e “Deliverance”. O som deles tem uma identidade própria e é inegavelmente marcante. Porém, em minha opinião, enquanto estilos como punk, metal e gótico podem se misturar, o rock progressivo deveria permanecer único. A apresentação dividiu opiniões. Talvez fosse uma banda mais adequada para abrir o evento.

O Queensrÿche gerava desconfiança, pois muitos sentem falta de Geoff Tate e Chris DeGarmo, já que da formação original restaram apenas Wilton na guitarra e Jackson no baixo. No entanto, La Torre surpreendeu os que duvidavam de sua capacidade vocal. “Operation Mindcrime”, “Walk in the Shadows” e “The Mission” foram executadas com maestria. O vocalista interagiu bastante com o público, acenando até para quem estava na arquibancada e distribuindo palhetas. Também tocaram “Empire” e “Eyes of a Stranger”, deixando de fora “Silent Lucidity” e “Jet City Woman”. Para muitos, o melhor show do dia. Os clássicos vêm dos álbuns Rage for Order, Empire e Operation Mindcrime.

Savatage veio desfalcado, sem Jon Oliva devido a problemas de saúde. Mas Zachary Stevens no vocal e Al Pitrelli na guitarra não deixaram a energia cair. Foram 12 músicas no setlist, com destaques para “Jesus Saves”, “Hall of the Mountain King”, “Edge of Thorns” e “Gutter Ballet”, que ganhou um belo efeito visual no telão, mostrando uma bailarina dançando. “Sirens” também esteve presente. A homenagem a Jon Oliva e Criss Oliva (falecido em 1993) em “Believe” emocionou o público. Foi o show que vi os fãs vibrarem com mais entusiasmo.

Europe Credicard Hall
Europe, durante apresentação no Credicard Hall, em maio de 2017.
Foto: © Ale Frata/Live Images

Agora era a vez do Europe, representando o hard/glam rock. Os mais radicais criticaram sua presença, mas até quem vestia camisas de bandas extremas veio prestigiar. Quem já viu Joey Tempest ao vivo sabe da energia contagiante do vocalista – mesmo quem não curte o som da banda acaba entrando na adrenalina. Com um set de 13 clássicos, incluindo “Rock the Night”, “Carrie”, “Cherokee”, “Scream of Anger” e “Superstitious”, o ápice veio com “The Final Countdown”, foi a canção que mais causou um verdadeiro alvoroço no festival, como um gol nos acréscimos. Foi um show sólido, mantendo sua identidade intacta.

Judas Priest, os deuses do heavy metal, retornaram a São Paulo. Infelizmente, Downing e Tipton não estão mais no palco, mas Ian Hill (que nunca saiu), Halford e Scott Travis (o baterista que mais tempo permanece na banda) mantiveram a tradição. Faulkner brilhou na guitarra, e Halford, aos 74 anos, demonstrou que ainda tem fôlego de sobra. O público se animou com clássicos como “You’ve Got Another Thing Comin’”, “Breaking the Law”, “Love Bites” e “Turbo Lover”. Os grandes momentos vieram com “Victim of Changes” e, claro, “Painkiller”. No bis, Halford surgiu com sua Harley Davidson em “Hell Bent for Leather”, antes de encerrar com “Living After Midnight” que foi cantada como um hino pelo publico, lembrando que “Hellion Electric Eye não foi esquecida”. Foram 14 petardos.

Judas Priest durante apresentação no Solid Rock, em novembro de 2018.
Foto: © Ale Frata/Live Images

Judas Priest é um grupo consagrado, dono de álbuns icônicos como: Sin After Sin, British Steel e Defenders of the Faith. Sempre dando ótimas apresentações no Brasil, desde sua primeira exibição em 1991 no Rock in Rio.

Scorpions encerrou o festival em meio a polêmicas – alguns acreditavam que Judas deveria fechar a noite. Mas não há como negar a contribuição dos alemães para a história do rock. Klaus Meine, aos 77 anos, pode não se movimentar como antes, mas compensa com dedicação, assim como o guitarrista Schenker, que mantém sua performance impecável, é a mesma desde 1985, ano em que pisaram pela primeira vez no Brasil no festival Rock in Rio.

Scorpions, durante apresentação no Credicard Hall, em setembro de 2016.
Foto: © Ale Frata/Live Images

O grupo alemão começa com tudo com “Come Home”, emenda na sequencia “Make it Real”, “The Zoo”, “Coast to Coast”, “Bad Boys Running Wild” colocaram fogo no publico, “Big City Night” foi muito bem recebida, vieram as baladas, onde muitos aproveitaram para sentar, “Still Loving You”, “Send me na Angel” e aquela que acho chata “Wind of Changes”, tivemos solo de baixo, bateria com Mikkey Dee (ex-King Diamond e Motörhead) mostrando sua habilidade. A banda trouxe uma surpresa no retorno ao palco: um escorpião gigante, impressionando o público. Para fechar, “Blackout” e “Rock You Like a Hurricane”. Foram 18 clássicos. Apesar de Halford estar melhor que Klaus, achei que o Scorpions agitou mais que o Judas Priest, lembrando que são das bandas que eu amo.

Foi mais um dia memorável do Monsters of Rock, eu tive o privilégio de ter assistido todas as edições (1994, 1995, 1996, 1998, 2013, 2015, 2023 e 2025).

NOTA DO EDITOR*

As fotos que ilustram nossa matéria não são da edição histórica do Monsters of Rock Brasil, de abril de 2025 no Allianz Parque, pois nosso credenciamento foi liberado parcialmente, apenas nosso repórter, Adriano Coelho, teve o credenciamento aprovado, e como até o fechamento da matéria não recebemos nenhum link com as fotos “oficiais de divulgação” do evento, por parte da Catto Comunicação, assessoria de imprensa responsável pelo evento, optamos por trabalhar com nosso acervo, de outras ocasiões, quando fomos credenciados para executar nosso trabalho de forma ética e profissional. Pedimos desculpas aos leitores, que esperavam ver aqui nossa cobertura fotográfica, como de costume, mas infelizmente não foi desta vez. Pelo menos algumas dessas fotos são inéditas. Divirtam-se e aguardem que em maio faremos uma grande cobertura do Bangers Open Air, com material quentinho, do maior festival de metal da América Latina, que conta com mais de 40 atrações nacionais e internacionais, além de lounge, espaço kids e muita diversão.

*Nota do editor por Ale Frata, editor e fotógrafo do Live Sessions


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