Nação Zumbi faz show histórico com orquestra no Theatro Municipal de São Paulo
Ícone do movimento manguebeat, grupo pernambucano está comemorando 30 anos do lançamento do disco Afrociberdelia
Foto: © Ale Frata / Live Images
Texto: Daniel Vaughan
São Paulo, 02/02/2026 – Theatro Municipal de São Paulo – A Nação Zumbi realizou dois shows históricos no Theatro Municipal de São Paulo, nos dias 2 e 3 de fevereiro. A banda se apresentou com a Orquestra Experimental de Repertório para celebrar 30 anos do disco Afrociberdelia.
Os fãs lotaram o famoso lugar, no centrão da capital paulistana, para prestigiar os ícones do eterno movimento manguebeat. À princípio, seria uma única data de espetáculo, mas os ingressos acabaram tão rapidamente que a produção abriu um dia extra (também esgotado).
Nação Zumbi, 30 anos de Afrociberdelia. Fotos: © Ale Frata / Live Images
A ideia da versão sinfônica consistiu em tocar na íntegra Afrociberdelia — o segundo e último trabalho em estúdio do grupo pernambucano com o vocalista Chico Science. O disco foi lançado em 1996, mas Chico morreu precocemente no ano seguinte. Depois da tragédia, a banda se reestruturou com o integrante Jorge Du Peixe nos vocais da (re)batizada Nação Zumbi.
Atualmente, além de Jorge, a formação original do grupo traz o baixista Dengue e o percussionista Toca Ogan. E acompanhando o trio inicial, estão Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra).
Para os shows comemorativos, a Orquestra Experimental de Repertório contou com a regência de Wagner Polistchuk. Já os arranjos foram assinados por Mateus Alves, conhecido pelas trilhas dos filmes de Kleber Mendonça Filho (O Agente Secreto).
A reportagem do Live Sessions presenciou a noite de estreia do projeto Nação Zumbi Sinfônico. Na segunda-feira (2), às 20h, a banda subiu pontualmente ao palco do majestoso Theatro Municipal de São Paulo. O lugar é tão lindo e cheio de histórias, que deixa o ambiente do show ainda mais emocionante.
O público enlouqueceu logo de cara quando grupo e orquestra tocaram a introdução impactante do disco, Mateus Enter, que traz nos versos: “Eu vim com a Nação Zumbi/Ao seu ouvido falar/Quero ver a poeira subir/E muita fumaça no ar…” E, na sequência matadora, emendaram a pesada e dançante O Cidadão do Mundo. Sensacional.
Como planejado, o setlist do espetáculo seguiu o álbum de 1996, apresentando todas as faixas e até os interlúdios musicais viajantes que intercalam as gravações de Afrociberdelia. Entre os destaques, estavam Quilombo Groove, Macô, Um Passeio no Mundo Livre, Criança de Domingo, O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu, além dos sucessos Maracatu Atômico e Manguetown.
Do outro lado, a orquestra deu ainda mais ênfase no repertório da Nação Zumbi, principalmente, nos ambientes dramáticos, instrumentais ou mesmo criando novas texturas ao lado das percussões. Em certas ocasiões, os arranjos lembraram a genialidade da nossa tropicália, entre experimentalismos e sinfonias psicodélicas. Algo incrível de se ver e ouvir presencialmente.
Visivelmente emocionado, Jorge Du Peixe agradeceu a empolgação do público e relembrou que certas canções não tiveram a chance de serem exploradas ao vivo na época do lançamento de Afrociberdelia. Ele também disse que o produtor do álbum, Bid (Eduardo Bidlovski), estava na plateia.
No final, o público aplaudiu de pé a banda e orquestra. Surpreendentemente, no bis, o grupo voltou ao palco para tocar o hit do repertório “solo” da Nação Zumbi, Um Sonho. E, com os fãs já na beira do palco, a banda ainda mandou um repeteco de Maracatu Atômico. Uma noite inesquecível.
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