Bad Religion celebra 45 anos de história no Espaço Unimed
Com setlist repleto de clássicos, a banda mostra a força do punk rock e consolida seu status como ícones do “classic rock” para diferentes gerações
Foto: Rafael Strabelli / Live Nation Brasil / Divulgação
Texto: Adriano Coelho
São Paulo – Espaço Unimed, 28/04/2026 – No ano de 1996, foi anunciado um festival que teria como destaque a banda Sex Pistols, acompanhada por Silverchair, Cypress Hill e Bad Religion. O público que, além de punk rock, também era adepto do classic rock, vibrava com a presença da banda inglesa, tinha curiosidade sobre os adolescentes australianos e não aprovava a presença dos rappers (ao contrário dos punks, que se identificavam). No entanto, muitos ignoravam o Bad Religion, que parecia ter apenas nome; até os punks “raiz” não pareciam ligar muito. Mas os adolescentes da época, surfistas e skatistas, simplesmente se acabaram com a apresentação da banda. Com isso, eles ganharam muita publicidade nos veículos do segmento e, anos mais tarde, em 1999, quando voltaram para outro festival abrindo para o Offspring, muitos estavam lá especificamente por eles.
Depois disso, o grupo não parou mais de se apresentar no Brasil, marcando presença em festivais como Lollapalooza e The Town. São 45 anos de estrada, e Greg e o baixista Jay são os únicos remanescentes da formação original. Os músicos atuais já são senhores, com exceção do baterista. O Espaço Unimed demorou a encher, mas para mostrar como a banda cresceu, o público exibia vários estilos e gerações: além das camisetas de bandas punk, viam-se também muitas de outros gêneros. O show teve um atraso de 15 minutos, enquanto os fãs se aqueciam com o som mecânico que tocava petardos do Pennywise e Social Distortion.

Enfim, a banda sobe ao palco. Como de costume, nada de enfeites; apenas o telão de LED que mostrava as capas dos álbuns e os nomes das músicas. Eles abriram com “Recipe for Hate” e emendaram com “Them and Us”, mas a explosão veio mesmo com “21st Century Digital Boy”. Os pogos começaram a crescer enquanto os clássicos eram desfilados. A velocidade e as músicas tocadas em sequência, sem muito papo com o público, faziam com que, apesar de conhecidas, as faixas às vezes se confundissem, sendo identificadas apenas no final. Posso afirmar que os momentos em que a emoção tomou conta foram em “Infected”, “I Want to Conquer the World”, “Atomic Garden” e “Punk Rock Song”. Como de costume, um garoto invadiu o palco, e foi durante “No Control”, momento em que o telão ficou bem iluminado com a capa do álbum homônimo ao fundo.
Outras músicas podem não ter causado o mesmo alvoroço, mas é incrível como Greg continua a executá-las com tanta maestria: “Sorrow”, “Los Angeles Is Burning” e “The Streets of America”. Foram, no total, 24 canções. Como é tradição, encerraram a apresentação com “American Jesus”, enquanto rodas gigantescas se abriam no público. Com o fim do show, muitos afirmavam que esta foi uma das — ou talvez a melhor — apresentação da banda. Nesse momento, me veio a lembrança de um show em 2001, quando invadiram o palco e eles saíram de cena, terminando a performance antes do tempo (fato que também ocorreu com o Biohazard naquele mesmo ano). Mais uma vez, os californianos deram conta do recado. Eles, junto com o Offspring, são as bandas de punk rock que mais venderam álbuns na história; por isso afirmo: não deixaram de ser punk rock, mas viraram uma banda de “classic rock”.
No final, escrito em português no telão, estava a frase: “Pense por conta própria”. Mostrando que são parciais em tudo, até nisso eles se mostraram grandiosos.
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