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C6 Fest tem retorno do The xx, homenagem de Lykke Li e multidão para Robert Plant

Festival reuniu shows marcantes, curadoria diversa e apresentações que passaram pelo jazz, indie, eletrônico, folk e rock no Parque Ibirapuera

Foto: © Ale Frata / Live Images
Texto: Carolina Leal

São Paulo, 21 a 24/05/2026 – Parque Ibirapuera – Em uma temporada dominada por festivais gigantescos e line-ups cada vez mais acelerados, o C6 Fest segue na contramão, apostando em uma curadoria nada óbvia. Em sua 4ª edição, o evento ocupou o Parque Ibirapuera com uma programação pensada para quem gosta de assistir aos shows sem correria. Passeando pelo jazz, indie, eletrônico, folk, MPB e rock clássico, o festival reuniu nomes históricos e apostas contemporâneas de 21 a 24 de maio, em São Paulo.

C6 Fest, Arena Heineken e Tenda Metlife, dia 23 . Fotos: © Ale Frata / Live Images

Os dois primeiros dias do festival ficaram concentrados no Auditório Ibirapuera e foram dedicados à música instrumental, jazz e experimentações sonoras. Nomes como Anouar Brahem QuartetJulius Rodriguez, Branford Marsalis QuartetBrandee Younger, Hermeto Pascoal Big Band Knower abriram a edição.

Com a abertura dos palcos externos, Arena Heineken e Tenda Metlife, no sábado, o festival ganhou outra dimensão. O público começou a ocupar gramados, filas e áreas de convivência do Ibirapuera desde cedo para acompanhar uma programação que misturava artistas brasileiros e internacionais em diferentes momentos do dia. Wolf Alice, Horsegirl, Baxter Dury, Amaarae e Mano Brown com Rincon Sapiência ajudaram a construir o clima antes da reta final da noite.

C6 Fest, Arena Heineken e Tenda Metlife, dia 24. Fotos: © Ale Frata / Live Images

Entre os shows de sábado, o BaianaSystem transformou a Arena Heineken em uma grande celebração coletiva. Misturando ritmos afro-brasileiros, guitarra baiana e música eletrônica, a banda colocou o público para pular do começo ao fim com faixas como “Sulamericano”, “Lucro (Descomprimindo)” e “Playsom”. As participações de Makaveli e Kadilida deram ainda mais energia ao show, que teve clima quase carnavalesco.

Na sequência, Matt Berninger diminuiu o ritmo do festival com uma apresentação mais intimista e melancólica. O vocalista do The National alternou músicas da carreira solo, como “Bonnet of Pins” e “One More Second”, com faixas da banda que o consagrou, incluindo “Gospel” e “Terrible Love”. Foi justamente durante “Terrible Love” que Berninger desceu do palco e começou a correr entre o público, abraçando fãs aleatoriamente, em um dos momentos mais espontâneos e caóticos da noite.

O encerramento do dia ficou por conta do The xx, responsável por um dos shows mais aguardados da edição. Após oito anos longe dos palcos e 13 sem passar pelo Brasil juntos, o trio encontrou um Ibirapuera lotado para acompanhar músicas como “Crystalised”, “Islands”, “Angels”, “I Dare You” e a emblematica “Intro”, que finalizou o show. O repertório também abriu espaço para sucessos das carreiras solo, como “Enjoyr Your Life”, de Romy“GMT”, de Oliver Sim e “Loud Places”, de Jamie xx com Romy, deixando o show ainda mais próximo de uma celebração da trajetória individual e coletiva do grupo. Entre bases minimalistas e momentos mais eletrônicos, os integrantes também falaram sobre a saudade dos shows e da conexão com os fãs, deixando a apresentação com clima de reencontro.

No domingo, o festival parecia ainda mais cheio. Paralamas do Sucesso com Nação ZumbiMagdalena BayBenjamin Clementine e Oklou ajudaram a construir um dos dias mais movimentados da edição, levando o público para diferentes climas antes da reta final. 

C6 Fest, Jazz e Lab, Auditório Ibirapuera. Fotos: © Ale Frata / Live Images

Um dos momentos mais delicados da noite veio com o Beirut. O cantor Zach Condon conduziu um show melancólico e elegante, passando por músicas como “Nantes”“Elephant Gun” e “Postcards From Italy”. A apresentação ganhou um momento especial quando o cantor se arriscou no português ao interpretar “O Leãozinho”, de Caetano Veloso, arrancando muitos aplausos da plateia.

Logo depois, Lykke Li trouxe uma energia mais dançante para a reta final do festival. A cantora sueca passou por sucessos como “No Rest for the Wicked”“Possibility”“Little Bit”, e “I Follow Rivers”, que transformou o Ibirapuera em um grande coral coletivo no encerramento da apresentação. “Lucky Again”, seu lançamento mais recente e faixa que marca o início da nova era do álbum “The Afterparty”, não ficou de fora. Ela ainda entrou no clima das homenagens à música brasileira e surpreendeu ao cantar “Sozinho”, composição de Peninha eternizada na voz de Caetano Veloso, totalmente em português e abraçada com uma bandeira do Brasil.

Encerrando o festival, Robert Plant levou uma multidão ao palco principal e até para fora do Parque Ibirapuera, onde fãs acompanhavam a apresentação pelo telão. Ao lado do projeto Saving Grace e da cantora Suzi Dian, o ex-vocalista do Led Zeppelin apostou em um repertório mais folk e blues, mas sem deixar de lado clássicos da banda que marcou sua trajetória. Músicas como “Ramble On”, “Four Sticks”, “Friends” e “Rock and Roll” fizeram o público cantar junto do começo ao fim, em um dos momentos mais cheios do evento.

Uma das novidades para essa edição foi o C6 LAB, espaço dedicado a propostas musicais pouco convencionais, que aconteceram na área interna do Auditório Ibirapuera, logo após as últimas apresentações externas. No sábado, a guatematelca Mabe Fratti fez um show experimental, onde misturou violoncelo, guitarra, bateria e metais e no domingo foi a vez do nova-iorquino Cameron Winter, vocalista da banda de rock Geese, que fez uma apresentação bem intimista, com apenas um piano.


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