O Adeus de Victor Willis
Líder e voz de hinos atemporais como “YMCA”, vocalista do Village People deixa um legado eterno que moldou as pistas de dança de várias gerações
Foto: © Ale Frata / Live Images
Texto: Adriano Coelho
Talvez você, assim como eu, não tivesse idade para sair na balada no final dos anos 1970, mas é impossível para quem viveu aquela fase — mesmo que fosse uma criança — ter passado em branco, pois a disco music foi uma febre que veio para ficar. Até hoje, é inaceitável não tocar num casamento ou numa festa de quem passou dos 30 anos, alcançando mesmo aqueles que nasceram bem depois dessa época. A era de ouro nos deu artistas de prestígio, como Donna Summer, Gloria Gaynor, Boney M., ABBA, Tina Charles, Kool & the Gang, Earth, Wind & Fire, KC and The Sunshine Band e Santa Esmeralda, mas, sem dúvida, nada foi mais emblemático do que o Village People.
Seis homens com panca de macho-alfa, que saudavam a masculinidade de forma sarcástica, mas que, independente disso, faziam todos se acabarem nas pistas de dança. Seus principais sucessos, como “GO WEST”, “Macho Man”, “YMCA”, “I Wanna Shake Your Hand”, “San Francisco”, “In the Navy” e “Can’t Stop the Music”, foram trilhas de novela global (Dancin’ Days). Mas, no início dos anos 1980, a disco começou a cansar; roqueiros americanos, incentivados por DJs de rádios especializadas em rock, promoveram a destruição de LPs de disco — o que pode ser visto no filme Studio 54. Com isso, os aficionados por dança começaram a se dedicar ao jazz dance numa versão mais moderna, em uma época na qual o cinema investia em produções como FAMA e Flashdance para não deixar o prazer da dança morrer.
Mas, como foi dito, a disco saiu da moda, mas nunca foi esquecida. O Village People era formado por Victor Willis (policial e marinheiro), Alex Briley (soldado), David Hodo (operário), Felipe Rose (índio), Randy Jones (cowboy) e Glenn Hughes (motociclista/vaqueiro) – este último que tinha o mesmo nome de um dos baixistas da banda Deep Purple. O grupo teve seu auge de 1977 a 1985, voltando em 1987 e continuando na ativa, mas com alguns integrantes se aposentando e deixando outros mais jovens fazerem parte.
Em 1980, saiu um filme homônimo contando a história do grupo, que ganhou o Framboesa de Ouro como o pior filme do ano. No ano de 1991, o produtor da banda, Jacques Morali, morreu em decorrência do vírus da AIDS e, em 2001, Glenn faleceu por causa de um câncer. Infelizmente, a notícia mais triste veio através da imprensa: Victor Willis veio a falecer de uma doença rara, no dia 30 de junho, aos 74 anos, provavelmente encerrando o legado de um grupo musical que marcou uma geração, que fazia as pistas ferverem e deixou uma história rica para os amantes da música e da noite. Os álbuns de maior destaque são os dois primeiros: Village People de 1977 e Macho Man de 1978; o último trabalho lançado por eles foi em 1985, Sex Over The Phone.
Segundo especulações, o irmão de Briley morreu no ataque às Torres Gêmeas em 2001. Sempre houve especulações sobre a sexualidade do Village, um tabu nos anos 1970, mas eles confessaram que o grupo possuía três héteros: o policial, o soldado e o operário; já os outros três não tiveram problemas em assumir a homossexualidade — inclusive Rose, que era filho de um índio Sioux. Victor foi casado duas vezes. Só espero que nas próximas festas, reuniões e casamentos o Village People continue trazendo alegria e, claro, que o sarcasmo misturado com o estilo machão de Victor seja eterno, já que ele sempre foi o líder do grupo. E pensar que ele, na adolescência, cantava em igreja batista antes de seu talento ser descoberto!
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