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Álbum de estreia do 1853 completa 25 anos do lançamento, neste 08 de abril

Lançado na lendária Woodstock, “A Verdadeira História de Melvin Bell e Seus Animais Assassinos” marcou a cena independente de São Paulo

Foto: © Rebecca Barreto / Acervo 1853

O COMEÇO

Em meados de 1995, Bio Fonseca e Ri Frata (em memória), por força do destino chegaram pra bater um papo sobre bandas, separadamente, como o mesmo cara: Ale Frata, primo e amigo de Ri Frata e amigo de infância de Bio Fonseca. A história deles foi praticamente a mesma: “estou procurando uma galera pra montar uma banda”.

Ri Frata, morador do ABC Paulista, berço do rock no Brasil, já tocava guitarra, por sinal, um dos melhores de sua geração, e trouxe na sua bagagem o batera e amigo Palmer de Maria, na época baterista da Retturn, banda de Trash Metal que viria a despontar tempos depois. Bio Fonseca, baixista que já havia tocado em algumas bandas, entre elas Anarchy, um power trio com pezinho no punk rock, com o amigo Ale Frata, estava a fim de encarar um baixo e vocal, e com isso a fórmula estava perfeita.

Vendo a necessidade de uma apresentação formal entre os amigos, Ale Frata combinou com Ri Frata e Bio Fonseca, de assistir a um show da banda Golpe de Estado em Santo André, e na sequência, assar uma carninha na casa do Ri pra formalizar de vez o encontro entre as partes. O que ninguém contava, é que o Golpe de Estado fosse atrasar, a ponto de subir ao palco por volta de 5h da manhã, depois de 10 bandas iniciantes, isso é o que chamamos de “viagem longa”. O primeiro ensaio aconteceu, no Mr. Gig, estúdio em Santo André, e logo aconteceu o primeiro show do mais novo power-trio batizado de 1853, numa mesa de bar, claro. A banda era predominantemente na linha de blues, com algumas pitadas de rock. O show foi em São Caetano do Sul, num bar chamado Camaleão. Logo após essa apresentação, Palmer resolve deixar a banda.

AS NOVAS FORMAÇÕES

Segunda formação do 1853. Da esquerda para a direita: Bio Fonseca, Ale Frata e Ri Frata. Foto: Rodrigo Lopes / Acervo 1853

Entre os nomes cotados para a batera, o velho amigo e baterista (já quase aposentado), Ale Frata, que foi o escolhido, e no domingo dia 03 de março, manhã seguinte ao trágico acidente com a banda Mamonas Assassinas, aconteceu o primeiro ensaio do novo power-trio.

Logo a banda começou a tomar um novo formato, e agora com dois rockeiros e um blueseiro, o rumo do 1853 começou a mudar novamente, indo em direção ao rock mais pesado, o que desagradou Ri Frata, que optou por deixar a banda no final daquele ano, de forma totalmente amigável, para seguir como guitarrista do Slide Boogie, banda de blues do ABC Paulista e da galera do Mr. Gig.

E assim, depois de muito bate-papo e especulações, Ale e Bio resolveram que para seguir a linha de hard rock que estavam almejando, o melhor seriam duas guitarras, o que daria um peso necessário ao estilo, e com isso Bio Fonseca poderia dividir os vocais com um provável guitarrista/vocalista que entrasse na banda. E foi assim que Fábio Koolu e Tatá Pellegrini ganharam a chave do cofre, e passaram a fazer parte do mais novo quarteto de hard rock paulista. A partir de 1997, se consolidou o que seria a formação clássica do 1853, com dois guitarristas, baixo e bateria, e os vocais sendo alternados entre Bio e Koolu.

Nessa formação o 1853 gravou uma demo (pra quem não sabe, demo tape era uma gravação que apesar de ser feita em estúdio, era mais precária e servia como teste pra conhecer melhor o som). Ainda em 1997, a banda foi convidada a participar da coletânea Rock Paulista 3, produzida pelo baterista Duda Neves. Uma curiosidade: essa edição do Rock Paulista conta com um texto lindo da Madrinha Rita Lee na contra-capa e outro no encarte, assinado pelo baterista do IRA!, na época, André Jung.

Venham a mim as criancinhas… Nada como um sangue novo para energizar velhos vampiros, não é mesmo? Rock Paulista III é um presente para quem duvida que não há nada de novo rolando nos porões, garagens e estúdios de roquenrou made in SAMPA. Os cães ladram e a rapeize morde suas guitarras, quero mais! Beijos e Bençãos.”
Rita Lee

A HISTÓRIA

A todo vapor, o 1853 inciou a Turnê Rockdelia ’97 / ’98, foram mais de 100 shows, pelo circuito de bares e casas noturnas paulistanas, e já planejando a gravação do primeiro disco.

Depois de passar um final de semana trancados no estúdio MK, em Pinheiros, para a pré-produção e mais alguns ajustes, em 1999 finalmente o processo de gravação do debut álbum foi no 624 Produções, no bairro de Perdizes, e masterizado no estúdio Asas, e contou com time de peso nas participações com Pit Passarel (Viper), Ricardo Vergueiro (Strangeways), Ri Frata (Slide Boogie), entre outros. Quem assinou esse produção foi José Luiz Carrato, conhecido também por Zé Heavy, co-produzido pelo engenheiro de som Guilherme Bonatto com assistência de Gustavo Simão. Assim nasceu “A Verdadeira História de Melvin Bell e Seus Animais Assassinos”. Para o projeto gráfico, a banda contou com o know-how da agência Tools & Látero que entregou um trabalho impecável.

Lançamento “A Verdadeira História de Melvin Bell e seus animais assassinos”, 8/4/2001 – Foto: Ciça Aidar / Acervo 1853

E no domingo, 8 de abril de 2001, o álbum foi oficialmente lançado, na Woodstock Music Hall na Rua da Consolação, tradicional casa de shows da capital paulista no coração dos Jardins. Ri Frata foi um dos convidados a participar do show, em “O Que o ▲ está fazendo?”, música que gravou sua participação no disco, com excepcional duelo de guitarra. Até o Melvin Bell apareceu naquele dia, em carne e osso, dando umas voltinhas pelo meio do público com uma cerveja e um charuto, e saindo de fininho (mas infelizmente nossa fotógrafa teve problemas técnicos e perdeu um dos três rolos de filme, justamente o que tinha a participação do palhaço. Acontece!). Algumas pessoas (acho que as 100 primeiras) ganhavam uma cópia da demo Rockdelia. Obviamente que com amigos e familiares enchemos a casa. Foi um lançamento de gente grande, em grande estilo.

Sonho realizado. Coragem de fazer o que os covers não faziam. Para quem ficava em casa com uma raquete de tênis imitando os ídolos, até que fomos bem longe.
Tatá Pellegrini

Tatá pellegrini

Depois disso, recebemos o convite do amigo Alexandre “Azeitona” Moreira (em memória) para gravarmos um clipe, assim nasceu o nosso único registro feito de forma profissional. A música escolhida foi Dr. Rock’n’Roll, e foi um dia inteiro de gravação, num estúdio profissional e com resultado espetacular. O Azeitona conseguiu colocar o 1853 num palco, mesmo dentro de um estúdio. Esse clipe teve boa aceitação e passou em diversos canais como Dr. Rock, Sleevers entre muitos outros, inclusive na MTV Brasil.

1853 no programa Dr. Rock, entrevistado por Marcos Spitzer, figura icônica no underground do ABC. Foto: Acervo 1853

O FIM

A banda fez bastante shows entre 2001 e 2004, promovendo o álbum, pensando no segundo disco. Já tinha bastante música, e um novo amigo encaminhado para produzir o trabalho. O Rápido! Antes que as moscas cheguem… já atingiu outro patamar de produção, nas mãos do Daniel “Maestro” Iasbeck (Exxotica, Secos e Molhados), fizemos a pré-produção no final de 2004, no próprio local de ensaio, casa do nosso amigo e irmão Ricardo Vergueiro, da banda Strangeways, que ficava no bairro Alto de Pinheiros. Um bairro nobre da capital, que todo sábado a tarde contava com o ensaio mega barulhento do 1853. Devem xingar a banda até hoje.

Por se tratar de uma banda totalmente independente, para levantar a grana necessária para a prensagem do novo álbum, o 1853 inovou, lançando uma pré-venda, um Vale CD Oficial. Tratava-se de um CD-R, gravado com o conteúdo exato do álbum, já masterizado, ao valor de R$10,00. Quem contribuía com a compra, além de receber seu CD-R na pré-venda, garantia a cópia do disco prensado, entregue em sua maioria das vezes em mãos, com um abraço de agradecimento. Esse disco contou com as participações de Paulo de Carvalho e Caio Andrade, ambos da Banda das Velhas Virgens, entre outros. Quem assinou a capa e toda parte gráfica, incluindo as fotos, foi Marcelo Calenda, que também contribuiu com duas composições autorais e arranjos vocais.

Ensaio fotográfico para o encarte do CD “Rápido! Antes que as moscas cheguem…”. Foto: Marcelo Calenda / Acervo 1853
A demo-tape Rockdelia de 1997 e o Vale CD Oficial de 2005. Foto: Ale Frata / Acervo 1853 © All rights reserved.

Como resumiu perfeitamente o AC/DC: “It’s a long way to the top (if you wanna Rock ‘n’ Roll)”. Infelizmente paramos no meio do caminho”.
Ale Frata

Esse disco não teve festa de lançamento. Logo que o CD ficou pronto, fizemos a distribuição para quem fez a compra antecipada e passamos por mais uma mudança, com a saída de Fábio Koolu, no primeiro semestre de 2006, com isso, o 1853 voltou a ser power-trio, o que durou por mais dois anos, assim como começou, porém com outra formação, e em 2008 os integrantes resolveram encerrar as atividades.

A banda continua viva nas redes sociais e streamings. Acesse aqui

1853 na Feira da Pompéia, em 20 de maio de 2007, a última apresentação ao vivo. Foto: Paulo Krüger / Acervo 1853


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