Empolgante, emocionante, único, verdadeiro e uma lição de vida da maior diva da música
Espetáculo no Teatro Santander revive a trajetória de Tina Turner com interpretação impecável de Analu Pimenta.
Foto: © Ale Frata / Live Images
Texto: Adriano Coelho
Na minha memória, vem a imagem da Tina Turner quando foi lançada a música “USA for Africa”, que contava com inúmeros artistas alertando o mundo sobre os problemas do continente africano. Lá estavam astros como Michael Jackson, Cyndi Lauper, Willie Nelson, Steve Perry (Journey), entre outros. Alguns eu conhecia, outros não. Lembro de uma mulher de cabelo exótico, voz muito forte e elegantemente vestida; eu não sabia quem era.
Meses depois, tivemos o Live Aid, simultaneamente nos Estados Unidos e na Inglaterra, com presenças marcantes de The Who, Led Zeppelin e Queen. No entanto, esse evento não foi transmitido ao Brasil. Eu assistia a pequenos trechos que passavam em programas de videoclipes, quando ainda não havia MTV no país, e lembro dessa mulher que citei no começo subindo ao palco e cantando com Mick Jagger. Ali eu descobri quem era Tina Turner.

Os anos se passaram e ela apareceu em comerciais de refrigerante com David Bowie e até com o brasileiro Evandro Mesquita. Quando fiquei sabendo de sua vinda ao Brasil, fui ao meu primeiro show internacional (dos mais de 500 que eu assistiria ao longo da minha vida). Isso foi em janeiro de 1988, no Estádio do Pacaembu. Os anos seguiram e eu abracei o rock n’ roll como estilo de vida, curtindo inclusive vertentes mais pesadas, mas nunca esqueci do show de Tina Turner. Trabalhei em shows como assessor, jornalista e outros fins, e sempre sonhei em conhecê-la, pois tinha esperança de que ela voltasse ao país. No dia 24 de maio de 2023, soube de sua morte, o que me trouxe uma grande tristeza, pois conheci vários artistas, mas ela não.
O Musical

TINA-Tina Turner, o Musical: sexta-feira, dia 27 de março de 2026, estou indo ao espetáculo da Diva. Esse evento foi sucesso na Broadway e por toda a Europa, tendo sido acompanhado pela própria Tina. No Brasil, estreou em 26 de fevereiro e ficará em cartaz até 12 de junho. O musical recebeu 12 indicações ao Tony Awards.
A peça começa mostrando a infância de Turner, quando seu verdadeiro nome era Anna Mae. Ela se destacava por cantar na igreja e por seus agudos serem muito fortes. Ela presenciou a violência doméstica, já que sua mãe sempre a tratou mal e seu pai chegou a usar a força contra a esposa. Devido à frieza da mãe com a filha, ela foi embora e levou a irmã mais velha, deixando Anna para ser criada pela avó. Ao reencontrar a mãe anos depois, ela conhece Ike em um show; ele, impressionado, a convida para formar uma dupla. Mas Ike era perturbado, consumidor de drogas, tinha abandonado esposa e filhos: um homem violento. O musical mostra as dificuldades que a cantora encontrou em sua vida artística, como submissão, exploração, racismo e os desafios de viver da arte.

Quando realmente resolve lutar sozinha, encontra outros obstáculos, como a necessidade de se reinventar — entre eles, o preconceito de idade, já que para alguns, apesar do talento, ela era uma “quarentona fracassada”. Entre alegrias e tristezas, o espetáculo mostra que muitas vezes somos escravos de pessoas que nos ajudaram ou nos fizeram um favor. Retrata a rejeição da gravadora Capitol, o contato com o produtor Phil Spector (que produziu álbuns dos Beatles e Ramones), o namorado alemão 16 anos mais jovem, as ameaças de despejo, a conversão ao budismo e, sem dúvida, a virada do desespero ao sucesso de uma das recordistas de público, inclusive no Rio de Janeiro, em 1988, que está no Guinness Book como o maior público de uma cantora solo.
O musical possui cenários diversificados e muito fiéis às épocas, além de bailarinos e atores que deixam o público extasiado. Os figurinos fazem com que a atriz Analu Pimenta pareça reencarnar literalmente Tina Turner, especialmente com o vestido vermelho e o sobretudo preto. Analu merece todos os elogios possíveis na interpretação, na dança e no canto. Destaque também para a criança que fez Tina na infância (sendo que, segundo informações, são três atrizes mirins que se revezam). Enfim, um espetáculo como a Diva merece. O Teatro Santander foi abençoado. O melhor é o show no final, no qual nos presenteiam com clássicos como “The Best”, “What’s Love Got to Do with It”, “Private Dancer” e “Proud Mary”, relembrando o show de Tina no Maracanã, em 1988, para mais de 180 mil pessoas, o maior de sua carreira.

Esta resenha foi feita por um fã assumido da diva Tina Turner, que viveu para o rock e conviveu também com shows de dança, pois veio de uma família de bailarinas. Então, você pode pensar: “ele escreveu com o coração”. Na dúvida, faça o seguinte: vá assistir e diga se houve exagero da minha parte.
Mais informações no link TINA – Tina Turner, O Musical
Descubra mais sobre LIVE SESSIONS
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

